Removendo petróleo do mar com ímãs

O que você diria de um procedimento químico que pode beneficiar os grandes empresários do ramo do petróleo e ainda fazer um bem incalculável aos mares já poluídos pelos acidentes neste setor? Essa façanha pode ser obtida por cientistas americanos que trabalham em um campo ainda pouco explorado na física e química: os ferrofluidos.

Talvez você só pense em ímãs como objetos que atraem pedaços de metal sólido, mas pesquisadores do prestigiado MIT (sigla em inglês para Instituto Tecnológico de Massachussets) desenvolveram um plano relativamente simples para separar o petróleo derramado no oceano da água que ele polui.

O procedimento teria duas fases: na primeira, o petróleo derramado recebe a adição de nanopartículas metálicas, que repelem a água. Isso cria o que os cientistas chamam de “ferrofluido”: um líquido que manifesta magnetização na presença de um ímã. O ferrofluido, nessa etapa, se separa naturalmente da água.

Na segunda fase, basta usar um ímã para recolher de volta as nanopartículas metálicas do petróleo, e pronto! Temos um petróleo pronto para ser reutilizado, e a água do mar ficou lá atrás, livre de poluentes.

O que acontece em um derramamento?

A cena de um navio petroleiro naufragando sobre uma crescente mancha negra no meio do oceano não é tão incomum. Dos agentes que trabalham para conter o vazamento até as pobres aves aquáticas que ganham um inesperado tingimento em suas penas, muitos sofrem os impactos destes acidentes.

Poucos sabem, no entanto, o que acontece nessas ocasiões. Derramado no oceano, o petróleo separa-se em componente volátil, que evapora, e em líquido/sólido, que se espalha no oceano. Ao contrário do que às vezes se acredita, a mancha escura não representa nenhum risco real à saúde dos seres humanos, embora prejudique os animais.

De qualquer maneira, o petróleo e o mar jamais se juntam em uma substância una e indivisível, pelo princípio básico (que você certamente aprendeu já no ensino fundamental) de que água e óleo não têm polarização para se misturarem.

O processo de separação, no entanto, é complicado. No último derramamento de grande escala, ocorrido no Golfo do México em 2010, o mar foi salvo por bactérias “comedoras de petróleo” que eram desconhecidas até então. Mas o ser humano nunca soube muito bem como lidar com isso. A alternativa do MIT significa, antes de mais nada, uma nova esperança.

Como funcionaria na prática?

Se você estava sentindo falta de uma má notícia, aqui vai ela: as tais nanopartículas, que devem ser misturadas ao petróleo, são altamente contaminantes ao meio ambiente. Por isso, não basta simplesmente atirar quilos da substância no oceano poluído, de helicóptero, e depois só passar com um ímã gigante recolhendo o petróleo.

É preciso conduzir a água com petróleo para um canal especial, onde a separação química possa acontecer e todos os componentes sólidos possam ser recolhidos. Para o meio ambiente, só retorna a água.

Mas até nessa tarefa as nanopartículas são úteis. A água suja pode ser levada ao canal especial através de dutos equipados com ímãs.

Isso elimina a necessidade de levar ao local caríssimos equipamentos para bombear a água magnetizada: ela seria conduzida “naturalmente” pelos ímãs instalados no sistema.

O fantástico mundo dos ferrofluidos

Este vídeo feito por um dos líderes da pesquisa, o professor Markus Zahn, mostra um fenômeno impressionante (a partir dos 25 segundos). Ele aparece segurando um pequeno tubo que contém um líquido de formato estranhíssimo: parece uma esfera cheia de espinhos. Do lado de fora do tubo, o cientista leva um ímã para lá e para cá, e o líquido segue o movimento em todas as direções.

Este líquido nada mais é do que o ferrofluido. Em janeiro de 2013, vai acontecer inclusive a Conferência Internacional dos Fluidos Magnéticos, em Nova Déli, na Índia. O evento deve reunir as principais novidades no estudo desse campo. Markus Zahn e sua equipe já confirmaram presença. [The Guardian/MIT News]

Fonte: Hypescience

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Uma resposta para “Removendo petróleo do mar com ímãs

  1. Recomendo investigarem o assunto no Brasil.
    Apenas na UnB, há dois grupos de pesquisa no Instituto de Física trabalhando no assunto. E os resultados são melhores do que os americanos. Uma pena que o tema tenha vindo a tona referenciando somente o famoso MIT.

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