Exercícios que salvam vidas: OMS lista como prevenir 7 das 10 doenças que mais matam no mundo

“Ficar sem se movimentar é um enorme risco. A cama mata”, afirma Rui Curi, diretor do Instituto de Ciências Biomédicas (ICB), da Universidade de São Paulo.

A frase é forte, mas não sem motivo. Segundo dados da Organização Mundial da Saúde (OMS),  no Top 10 desse ranking encontram-se nada menos do que sete quadros possíveis de serem prevenidos ou ao menos controlados por meio da atividade física.

É importante ter em mente que pílulas não geram saúde, somente combatem doenças. Um estudo publicado na renomada The Journal of Physiology, o Dr. Michael Joyner propõe a hipótese de o sedentarismo ser, por si só, encarado como uma doença. “O bom é que ele tem cura: doses regulares de exercício físico dão conta do recado”. E mais, segundo o pesquisador, “se recomendarmos mais desse medicamento natural, prescreveremos menos drogas para contornar vários transtornos, além de melhorar a qualidade de vida das pessoas”.

Confira a seguir seus efeitos nas mais temidas doenças do mundo e saiba o que importa, em cada caso, para que ele seja um medicamento, e não um veneno.

As principais causas de morte

Motivo
Milhões de mortes/ano
1
Infarto *
7,25
2
AVC *
6,15
3
Infecções pulmonares *
3,46
4
DPOC *
3,28
5
Diarreia
2,46
6
Aids *
1,78
7
Câncer do trato respiratório *
1,39
8
Tuberculose
1,34
9
Diabete *
1,26
10
Acidentes de carro *
1,21

Fatores de risco que mais matam

1 Alta pressão arterial *

2 Tabagismo *

3 Hiperglicemia *

4 Inatividade física *

5 Sobrepeso e obesidade *

6 Altos índices de colesterol *

7 Sexo inseguro

8 Consumo de álcool *

9 Subnutrição infantil

10 Inalação interna de combustíveis sólidos

O sedentarismo está em quarto lugar no ranking da OMS. Mas, se pensar bem, ele contra-ataca todos os itens com asterisco.

1º causador de mortes: Infarto

Tanto é fundamental se mexer para escapar do líder do ranking da OMS que o Instituto do Coração (InCor), em São Paulo, tem uma ala especialmente dedicada a deixar em forma indivíduos que já passaram por panes no peito. “Após o infarto, trabalhamos para recuperar a função cardíaca o mais rapidamente possível. Logo depois, iniciamos treinos que evitem novos eventos desse tipo”, explica a cardiologista Patricia Oliveira, da Unidade de Reabilitação Cardiovascular e Fisiologia do Exercício da instituição. No coração, a atividade física age em duas frentes. Primeiro, promove uma verdadeira faxina nas artérias, retirando de cena o LDL, aquele tipo de colesterol que financia a formação de placas nos vasos. Esses acúmulos gordurosos, se não domados, crescem até impedir totalmente o sangue de circular por lá. Ao mesmo tempo, a malhação colabora para manter as artérias jovens por um bom tempo (veja nos infográficos abaixo).

Recomendações Realizar atividades aeróbicas, como caminhada e ciclismo, cinco vezes na semana. E respeitar os sinais de cansaço.

2º maior causador de mortes: AVC
Garantir artérias saudáveis com a ajuda da esteira ou da bicicleta não resguarda só o músculo cardíaco. Afinal, se um dos canos que irriga a massa cinzenta perde sua flexibilidade ou fica tapado por uma placa de gordura – consequências típicas do sedentarismo -, certos neurônios não recebem os nutrientes vindos do sangue. É o começo de um derrame. Então, começam a definhar. “A atividade física ainda promove uma vascularização cerebral, proporcionando novos vasinhos na região, o que incrementa o abastecimento sanguíneo”, destaca Ricardo Arida, neurofisiologista da Universidade Federal de São Paulo. E mesmo quem já sofreu com essa pane pode ao menos atenuar seus impactos no dia a dia se não ficar parado. “Em trabalhos recentes, observamos que o exercício, em animais, forma uma maior quantidade de células nervosas”, revela Arida. Em certas situações, isso ajudaria na recuperação da coordenação ou mesmo na da cognição.

Recomendações Modalidades aeróbicas auxiliam a prevenir a encrenca. Se exigirem reflexos e decisões rápidas, melhor ainda!

3º maior causador de mortes: Infecções pulmonares
Uma parcela dos falecimentos por pneumonia acontece sem a chance de um tratamento. Porém, essa doença também vitima gente bem tratada e… acamada. “Sem movimentação, há um acúmulo de secreções no pulmão, um banquete para bactérias”, diz o pneumologista Elie Fiss, da Faculdade de Medicina do ABC, na Grande São Paulo. Logo, em qualquer doença, a pessoa deveria tentar se mexer. Os exercícios ainda deixam nossas defesas mais eficazes. “Mas, em excesso, abalam a imunidade, fazendo surgirem infecções”, avisa Tânia Curi, educadora física da Universidade Cruzeiro do Sul.

Recomendações Mover-se cinco vezes na semana. Evitar ambientes secos ou frios e não se esquecer da musculação.

4º maior causador de mortes: DPOC
Recomendações Fazer exercícios aeróbicos e de resistência ao menos duas vezes na semana, por meia hora apenas.

6º maior causador de mortes: Aids
“Em 1996, houve uma revolução nos medicamentos contra o HIV. Hoje, o principal risco para o soropositivo não são as infecções, mas sim as doenças cardiovasculares”, estabelece Alex Antonio Florindo, educador físico da Universidade de São Paulo. Entre essas novas drogas figuram os inibidores de protease. “Essa classe de remédios, embora importante para barrar o vírus, interfere no metabolismo, elevando as taxas de colesterol e gordura e, portanto, a ameaça de um infarto”, explica o pesquisador Luís Fernando Deresz, da Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre, no Rio Grande do Sul. E nem precisamos falar da capacidade dos exercícios de baixar esses índices.

Recomendações Os efeitos benéficos são mais observados se a atividade for regular – meia hora por dia, por exemplo. Deve-se ficar de olho na carga viral e no coração.

7º maior causador de mortes: Câncer do trato respiratório
“Ainda não há estudos que atestem o exercício como forma direta de prevenção a esse tumor”, opina o pneumologista Gustavo Prado, do Instituto do Câncer do Estado de São Paulo. Mas, assim como em todos os tipos de câncer, o esporte é um aliado no tratamento, já que combate quatro complicações da doença: dor, fadiga, depressão e distúrbios do sono.

Recomendações Focar na flexibilidade e no treino de força para se blindar contra sintomas desse câncer.

9º maior causador de mortes: Diabete
Para entender a importância de suar a camisa entre os diabéticos, um grupo da escola de Ciências da Atividade Física, da Universidade de São Paulo, estudou o efeito do esporte em ratos com uma dieta cheia de açúcar. “O grupo de animais que comeu dessa maneira sem treinamento físico ficou diabético em seis semanas”, relata a cientista Fabiana Sant’anna evangelista, autora do experimento. “Já os que se exercitaram, mesmo comendo mal, não desenvolveram a doença”, completa. Os mecanismos por trás dessa benesse não estão totalmente desvendados, mas já há pistas. “O treino impede que o tecido adiposo cresça, freando processos inflamatórios que interferem no trabalho da insulina”, aponta a pesquisadora. A resistência a esse hormônio é uma das principais chateações na vida de quem luta contra o diabete tipo 2.

Recomendações Os medicamentos devem ser dosados conforme o exercício. Consulte o médico.

Adaptado de saude.abril.com.br

 

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