Hoje eu o vi. Bem lá de trás…, por Leandro Silva

De trás das nuvens, manchando-as de um amarelo fosco, que ao mesmo tempo consegue ser extremamente revigorante. Quase se tornando como ele o é quando não está brincando de esconde de trás das nuvens.

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O Sol, com toda a sua majestade, sabe entrar em cena como ninguém.
Quando olhei um pouco acima das tortuosas costelas da serra, que era encimada por uma coroa de nuvens, ele ainda fazia questão de demonstrar sua total indiferença em relação àqueles que esperavam pelo seu acordar.

E como se fosse somente a título de brincadeira, no momento em que tirei os olhos dele, logo senti no cangote o esquentar dos primeiros e incipientes raios de sol. Olhei, e lá estava ele. Não porque eu queria vê-lo, mas pela simples razão de ser poderoso o suficiente para fazê-lo.

Quando percebi que após passar alguns minutos, deixando a leitura do livro do Sagan de lado, o sol nasceu, totalmente indiferente, superior a todo pedido, mesmo que de alguém, também, chamado “Ele”. O homem, com sua gigantesca pequeneza tenta transferir essa condição ao sol. Brincadeira, né? Isso nos está tão arraigado, que eu mesmo fiquei olhado para lá achando que ele fosse aparecer ou como comumente dizemos nascer. Opa! Nascer? Rs

A nós e o nosso planeta conferimos um status que não possuímos. Usurpamos a ideia de superioridade, que não bastava impor de maneira infundada por sobre os outros organismos, também imputamo-la ao Sol, corpo celeste qual nos viu nascer. Melhor, nos permitiu nascer.

Assim como vemos um efeméride logo no raiar do dia deixar sua pupa para traz, ostentando seus longos cercos, voando em busca de um parceiro, para poder perpetuar seus genes e definhar logo após, assim o somos em relação ao sol.

Porque para ele, nosso nascimento é análogo ao amanhecer de uma efemérida. E a altura da idade dos centenários (geralmente orientais…), poderíamos ser comparados ao fim do dia de uma criatura que já está por findar sua vida. Para aqueles que ficaram pelo caminho, a hora do almoço já é dita a hora de cair, deixar de voar, e devolver ao solo tudo aquilo que, direta ou indiretamente, pegamos dele.

E foi manhã e tarde de nossa vida. E para o sol… Bem para ele foi um momento de bocejo, um piscar de olhos, que não o permitiu ter uma oportunidade de conhecer alguém, que acha, e só acha, ser maior do que aquele que nos observa desde o amanhecer até o entardecer.

No dia em que percebermos nossa posição em relação aos outros seres, e o sol considero-o como tal, vermos o quanto somos pequenos, só assim deixaremos emanar da maneira mais natural a humildade, um sentimento que permite o florescer de todos os outros, e só ai seremos de fato, importantes. Ao menos para os que estão perto de nós.

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Sermos humildes quase deixa de ser um sentimento facultativo para tornar-se obrigatório.
Discorda?
Amanhã pela manhã olhe o horizonte e veja Aquele que pode e tem o direito de não ser nada humilde.

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Leandro Alves da Silva

 

Leandro cursa Ciências Biológicas na Universidade Federal do Tocantins (UFT), desenvolve trabalhos de levantamento e monitoramento de fauna em diversos pontos da região norte e é escritor evolucionista nas horas vagas.

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